O custo de dicotomizar
A mesma associação entre PSA e desfecho é analisada de dois jeitos: com o PSA contínuo (log) e com o PSA cortado em “< corte vs. ≥ corte”. Compare o poder estatístico.
Embaixo: poder em função do tamanho da amostra (curvas por aproximação analítica; pontos = Monte Carlo no n escolhido).
Dados simulados para fins didáticos. Premissas: PSA log-normal (mediana 8 ng/mL, DP do log = 1); desfecho contínuo padronizado (ex.: log do tempo até progressão) com correlação linear r com log(PSA). Análise contínua: teste t da correlação (= regressão linear); dicotomizada: teste t de Welch entre os dois grupos; α = 0,05 bilateral. “n equivalente” = n que a análise contínua precisaria para ter o mesmo poder da dicotomizada (eficiência ≈ [φ(c)²/(p(1−p))], aproximação de Fisher).
O ponto de corte “ótimo” que é puro acaso
Os dados são gerados sem nenhuma associação entre PSA e desfecho. Teste vários pontos de corte, fique com o menor p-valor — e veja com que frequência isso “descobre” um efeito que não existe.
Embaixo: proporção de repetições (sem efeito real) em que pelo menos um corte deu p < 0,05, conforme o número de cortes testados. Linha tracejada = 5% nominal.
Dados simulados para fins didáticos. Premissas: PSA log-normal; desfecho binário (ex.: progressão em 2 anos) com probabilidade 35% independente do PSA, portanto H0 verdadeira. Cortes nos percentis 10 a 90 do PSA da amostra, igualmente espaçados; cada corte testado por qui-quadrado (teste z de duas proporções, sem correção). Semente: .