Estatística Prática para Oncologistas · Capítulo 11

Tempo para evento e censura

Censura não é evento nem dado descartável — e, quando está ligada ao prognóstico, muda o resultado.

O que acontece quando se ignora a censura

Compare a sobrevida em 12 meses estimada por Kaplan-Meier com dois atalhos errados — excluir os censurados ou contá-los como eventos — e com o valor verdadeiro.

Linhas de seguimento (até 30 pacientes da coorte)

Curva de Kaplan-Meier × curva verdadeira; marcadores = estimativas em 12 meses

Mensagem-chave. Censura não é evento nem dado descartável; ignorá-la sempre distorce o resultado.

Dados simulados para fins didáticos. Tempo até o evento exponencial com mediana de 18 meses (S(12) verdadeira = 63,0%). Censura não informativa (independente do prognóstico), com momento concentrado no início, uniforme ou no fim do seguimento. "Excluindo censurados" = retirar quem foi censurado antes de 12 meses e calcular a proporção viva entre os restantes; "censurados como eventos" = tratar quem foi censurado antes de 12 meses como se tivesse tido o evento. A tabela repete o experimento 400 vezes para mostrar que o desvio é sistemático (viés), não acaso.

Censura informativa × não informativa

Faça pacientes saírem do braço experimental por toxicidade — ao acaso ou preferencialmente os frágeis — e compare o hazard ratio (HR) estimado com o HR que se obteria sem as saídas.

Mensagem-chave. Censura desbalanceada e ligada ao prognóstico "limpa" a curva de pacientes graves e infla o benefício.

Dados simulados para fins didáticos. 300 pacientes por braço; 35% são frágeis (hazard 3 vezes maior). Controle: 5% de saídas precoces ao acaso. Saídas por toxicidade ocorrem entre 0,5 e 6 meses e viram censura. Seguimento administrativo de 18 a 36 meses. "HR sem saídas" = Cox nos mesmos pacientes, sem as censuras por toxicidade (o que o ensaio estimaria se ninguém saísse); como a fragilidade não entra no modelo, ele pode diferir um pouco do HR condicional escolhido. Médias = 100 repetições do ensaio.