Estatística Prática para Oncologistas · Capítulo 7

Medidas de efeito: RR, OR, ARR e NNT

A mesma redução relativa pode valer muito ou quase nada para o paciente; e a odds ratio nem sempre fala a língua do risco. Veja os números se moverem.

Mesmo RR, NNT muito diferente

Fixe o risco relativo (RR) do tratamento e mude o risco basal do paciente: a redução relativa fica igual, mas a redução absoluta (ARR) e o número necessário para tratar (NNT) mudam por ordens de grandeza.

Mensagem-chave. Nunca aceite uma porcentagem sem o denominador: o mesmo RR pode significar NNT 5 ou NNT 10.000. O risco basal do SEU paciente define o benefício absoluto.

Cálculos didáticos. Risco tratado = risco basal × RR; ARR = risco basal − risco tratado; RRR = 1 − RR; NNT = 1/ARR, arredondado para cima. Premissa: o RR do ensaio se transporta para pacientes com outros riscos basais (frequentemente razoável, nunca garantido). Com HR, a conversão para risco absoluto num horizonte usa 1 − Strat(t) = 1 − Sctrl(t)HR, não multiplicação direta.

Quando a odds ratio engana

Da mesma tabela 2×2 saem o risco (eventos/total) e a chance (eventos/não eventos). Aumente a frequência do evento no controle e veja a OR se afastar do RR.

Mensagem-chave. OR ≈ RR só quando o evento é raro (< ~10%). Em desfechos frequentes, como resposta objetiva, a OR exagera o efeito — leia-a como chance, não como risco.

Cálculos didáticos. Risco = eventos/total; chance (odds) = eventos/não eventos; OR = chancetrat/chancectrl. Riscos, chances, RR e OR são calculados com as proporções exatas; a tabela 2×2 mostra as contagens arredondadas para o tamanho de braço escolhido. O gráfico mantém o efeito fixado e varia só a frequência no controle.